1 de out de 2009

Anvisa anuncia mudanças em bulas de remédios

por Juan Franscesco Piva

Quem alegava não ler as bulas de remédios por causa dos termos científicos ou pelas letras minúsculas, agora vai ter que arrumar outra desculpa. Isso porque a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou que as informações dos medicamentos, até 2011, serão mais legíveis e fáceis para compreensão, segundo publicação no Diário Oficial da União no dia 9 de setembro.

De acordo com a Anvisa, todas as bulas deverão ter tamanho de letra dez, não podendo estar condensadas ou expandidas. O espaçamento de letras e linhas também receberá novas regras e o formato do texto será de perguntas e respostas.

Deficientes visuais terão direito a bulas com letras maiores, em meio magnético, óptico, eletrônico ou em braille, mediante solicitação. Caso o indivíduo não consiga interpretar as informações, poderá pedir a leitura por atendimento telefônico ao consumidor. A bula também terá de informar se o medicamento causa doping.

A Anvisa disponibilizará duas bulas: uma para o usuário, outra para o profissional de saúde. Junto ao medicamento se encontrará somente a bula para o paciente. As duas estarão disponíveis no site da agência.

A partir da data de publicação no Diário Oficial, começa o prazo para as empresas se adequarem. Elas terão 30 dias para disponibilizarem as bulas via telefone; em até nove meses, as novas bulas deverão estar disponíveis. Até 2011, todo o processo deve estar concluído. As novas regras estavam em discussão desde 2008.

Aprovação

Para o metalúrgico Ricardo Ferrezin, 36 anos, as mudanças nas bulas vieram tarde. Na sua juventude, precisava ingerir um medicamento muito forte. Porém, ao ler as reações adversas contidas na bula, afirma ter desistido. “Passei mal antes mesmo de tomar o remédio”, afirma. As informações contidas nos medicamentos atuais “espantam” pacientes pelos termos técnicos.

O deficiente visual Guilherme Previato Benatti, 18, diz que solicitará uma bula especial caso necessário. “Se eu precisar, não vou hesitar em pedir”, afirma. Ele ainda pondera que as novas bulas precisarão entrar em circulação para saber a aceitação da população e se não serão necessárias novas mudanças.

A aposentada Leonor Piva Bortoleto, 56, acredita que as novidades serão muito positivas. “Só de não precisar mais ler aquele exagero de termos técnicos com aquelas letrinhas minúsculas já é uma vitória”, afirma. Ela não aprova o formato das bulas atuais porque as informações para os pacientes vêm junto com as informações para o profissional de saúde.

A farmacêutica Aline Martim, 23, também aprova as modificações, principalmente a bula para o profissional de saúde em versão eletrônica. “Como o acesso à internet é muito fácil hoje em dia e nem sempre temos um DEF [Dicionário de Especialidades Farmacêuticas] em mãos, as bulas on-line só irão ajudar caso surgir alguma dúvida”, diz.

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