20 de out de 2009

Música influencia comportamento dos jovens

Disciplina e responsabilidade são as mudanças mais destacadas entre os que iniciam suas vidas no universo musical


Juan Franscesco Piva
Lidia Baião


“Sem música não há vida”, afirma Leonardo Bortoleto, 22 anos, enquanto afina seu violão. Segundo ele, a aprendizagem de um instrumento musical se transforma, cada vez mais, em uma disciplina importantíssima para o crescimento pessoal do indivíduo.

O aumento da responsabilidade e da calma, além de maior capacidade de concentração são as características mais perceptíveis no comportamento de quem vive a música como matéria de vida.

“A música abre sua mente, tornando você uma pessoa mais responsável, determinada e segura nas suas decisões”, aposta o operador de máquinas Lucas Peter Bezerra Aguillar, 24, que toca guitarra e faz aulas de canto.

Os pais de Aguillar, a autônoma Irene Alves Bezerra Aguillar, 48, e o operador de máquinas Lucas Aguillar, 48, confirmam as palavras do filho, alegando que ele passou a ter mais atenção, ganhou responsabilidade e está mais alegre depois de iniciar-se na música.

Na sua adolescência, a estudante Mirian Bottan, 22, fez aulas de guitarra e canto, quando integrou uma banda de rock. Ela diz que seu comportamento foi alterado nessa época, alegando que ficou mais nervosa e revoltada, chegando até a pintar o cabelo de vermelho e só usar roupas pretas, influenciada pelo estilo musical.

Sua mãe, a dona de casa Elaine Bottan, 50, declara que sua filha mudou bastante nesse período, do ponto de vista estético e psicológico. Mas crê que “isso foi por conta da banda de rock, que fez com que ela ficasse mais agitada, geniosa e nervosa” e não propriamente pelas aulas de música.

“O pai dela e eu começamos a controlar suas atitudes, porque sabíamos que era uma fase de adolescente. Sempre apoiamos seu gosto por música”, relata a mãe, “tanto que hoje, passada essa fase, ela se mostra uma pessoa bem mais disciplinada e responsável”.

O ajudante de produção Leonardo declara que seu estado de espírito melhorou. Ele considera que qualquer som é uma nota musical aos seus ouvidos, desde um bocejo até o acorde mais complexo de seu violão.

Sua mãe, a dona de casa Leonor Piva Bortoleto, 56, diz que “as aulas o deixaram bem mais tranquilo, além de ele ter ficado mais aberto e ter melhorado o relacionamento com a família”.

Opinião profissional

O músico e metalúrgico Edson Torrezan, 40, professor de um coral de crianças, afirma que a música é para ele uma filosofia de vida. “Sempre quis transmitir o aprendizado que tive para as crianças, para que com a música elas ficassem mais sensíveis aos sentimentos”, ressalta Edson.

Quando indagado se o comportamento das crianças do coral mudou depois das aulas de canto, ele disse que “hoje elas ouvem música com outros ouvidos e não só por ouvir”. Também não ficam mais sem o coral, a ponto de um dia que não ia ter aula elas irem até a casa dele buscá-lo porque queriam ter aula de qualquer jeito.
Para o músico Henrique de Oliveira Candido, 24, as pessoas ganham mais concentração com a aprendizagem de um instrumento musical, e passam a ter uma visão de mundo maior. Ele ensina violão e guitarra.

Começou a dar aulas aos 17 anos e, desde então, já passaram pelas suas mãos, aproximadamente, 280 alunos. O músico relata, no entanto, que muitos pais querem que seus filhos estudem música para que ocupem o tempo livre e quase nunca almejam que eles se profissionalizem na área.

Henrique aconselha as pessoas que estão iniciando a carreira no universo musical a estudarem bastante, não criarem barreiras musicais e a estarem abertas a novos estilos. “Pessoa que curte rock precisa também escutar música erudita”. Ele ainda recomenda que os alunos toquem com outros instrumentistas, sejam humildes e trabalhem com seriedade.

“No Brasil, o músico não é tão valorizado quanto na Europa ou nos EUA, mas com muita dedicação pode-se provar que, apesar das dificuldades, não é impossível viver profissionalmente de música”, afirma.

A psicóloga Maria Ângela Vargas Bueno, 58, afirma que variados estilos musicais e condutas de comportamento diferenciados estão presentes a cada tempo no desenvolvimento das sociedades. Algumas pessoas adotam essas condutas durante um período de suas vidas e depois mudam com o passar dos anos.

Outras, às vezes, permanecem quase sem alteração muito grande em seu estilo musical e aparência comportamental. Os diferentes estilos musicais e a conduta comportamental relacionada a esses estilos fazem parte de mudanças sociais que poderão ser ou não incorporadas ao aspecto pessoal de forma duradoura.

Perdendo peso com a música

O empresário Aramys Pereira da Silva, 21, desde pequeno, sempre teve a influência de seu pai no universo musical, quando o ouvia tocar sanfona. “Cresci escutando ele cantar e tocar Gaúcho da Fronteira. Não tinha como eu não gostar de música”, conta Aramys, que decidiu investir na carreira de cantor.

Só que para isso precisou de aulas de canto, que foram fundamentais para que ele aprendesse a respirar da maneira correta, acertasse o ritmo das canções e melhorasse o afinamento de voz.

Seu pai, o também empresário Sebastião Pereira da Silva, 51, revela que com as aulas de canto, Aramys “aprendeu que para conversar precisa de vírgula”. Antes, falava muito rápido. Mas o mais importante é que a vontade de ser músico trouxe-lhe disciplina com a comida. “Depois que o Aramys decidiu ser cantor, viu que tinha que emagrecer, pois pesava 125 quilos. A mídia só aceita pessoas com estereótipo de magreza, César Menotti e Fabiano e Fat Family são casos raros”, afirma.

“Com disciplina e por amor à música, comecei um tratamento e hoje peso 80 quilos”, relata Aramys. Sebastião diz que a música deu mais saúde para seu filho, “ele não seguiu carreira, mas hoje está de bem com a balança”, conclui o pai.

Um comentário:

Camila disse...

A música é uma boa influência sobre os jovens. Também é uma boa terapia para quem tem problemas de personalidade. Quando criança, eu era muito introvertido e minha mãe me enviou a aulas de musica. Em poucos meses, eu tinha muitos amigos. me ajudou a ser mais extrovertida!