8 de out de 2009

Psicóloga coordena grupo para mulheres que amam demais em Limeira

por Thayla Ramos

Inspirada na novela Mulheres Apaixonadas, de Manoel Carlos, veiculada pela Rede Globo em 2003, a psicoterapeuta Solange Dantas criou o grupo Madoc (Mulheres que Amam Demais, Obsessivas e Compulsivas).

O projeto, coordenado por ela em parceria com a Secretaria de Cultura da Prefeitura de Limeira, visa atender as mulheres que se identificaram com a personagem Heloísa, portadora do distúrbio.

“Tudo começou a partir da novela. Muitas pacientes me procuravam dizendo que, por meio da trama, descobriram que não era só ciúme o que sentiam por seus parceiros”, conta Solange. Na novela, Heloísa frequentava o centro Mada (Mulheres que Amam Demais Anônimas), que foi a base para a idealização do Madoc.

O grupo, que é aberto gratuitamente à comunidade, visa trabalhar a autoestima feminina. “Quando você ama mais o outro do que você, você é infeliz e faz as pessoas ao seu redor infelizes também”, explica a psicóloga.

Solange esclarece que, embora não pareça, o distúrbio é uma doença e pode atingir proporções graves se não for tratado. “A vida vira um inferno. Tivemos no consultório o caso de uma mulher que botou até fogo no carro do ex-marido”, conta.

O tratamento no Madoc se dá com os depoimentos das pacientes. “Pela identificação com as outras, elas crescem e aprendem muitas coisas. É um local onde elas podem desabafar e são motivadas a se amarem mais”, ressalta.

Sintomas

A psicóloga e psicoterapeuta Maria Aparecida Diniz Bressani, especializada no atendimento individual de jovens e adultos, afirma que a baixa autoestima é uma das causas e também um dos sintomas do distúrbio.

“O amor demais por alguém é fruto do amor de menos por si próprio. Esse desamor por si imanta a pessoa a atrair relacionamentos amorosos insatisfatórios e estéreis, emocionalmente falando.

Às vezes, atrai pessoas difíceis e mesquinhas, mas, muitas vezes, apesar de tudo, atrai até pessoas dispostas a amá-la, mas - como vivem sob a égide do desamor - não conseguem reconhecer ou decodificar as atitudes amorosas do outro para consigo própria”, explica ela.

Segundo pesquisas realizadas no site Viver na Alemanha, sobre mulheres que abandonaram tudo no Brasil para se casarem com alemães e viverem no exterior, a mulher que ama demais possui várias características em comum.

É geralmente uma mulher que cresceu em uma família disfuncional, na qual suas necessidades emocionais não foram atendidas, e tende a diminuir sua carência tornando-se uma pessoa altruísta, que dá aos outros mais do que lhe é pedido, esperando receber em troca o carinho de que necessita.

Com medo de ser abandonada, essa mulher fará de tudo para evitar que o relacionamento acabe. Está disposta a abrir mão do seu tempo, sonhos e metas para agradar ao parceiro e manter o relacionamento.

Solange convida todas as interessadas e que se identificam com os sintomas a participarem das reuniões. “Mesmo que não tenham o problema, podem ser multiplicadoras e ajudar outras mulheres que sofrem e fazem os outros sofrerem”, afirma.

As reuniões acontecem todas às quartas-feiras, às 19h, na Rua Alferes Franco, nº 1241, em Limeira.

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