15 de nov de 2009

Redes sociais a serviço do jornalismo

72% dos jornalistas utilizam Orkut e Twitter

A jornalista Ana Maria Devides há 9 anos trabalhando no Jornal Tribuna do Povo de Araras


A prática do jornalismo atualmente é feita com a ajuda das redes sociais, que servem de fonte de pesquisa e informação. O Orkut e, mais recentemente, o Twitter, estão entre os favoritos dos profissionais. A cada dia essas ferramentas vêm conquistando jornalistas e facilitando os trabalhos nas redações. O surgimento das redes sociais deflagrou uma mudança significativa na forma de fazer jornalismo.

Uma pesquisa realizada em São Paulo, entre julho e setembro deste ano, pela S2 Comunicação Integrada, e divulgada no último dia 4, mostra que os profissionais de jornalismo usam o Orkut (83,46%) e o Twitter (48,77%) para levantar informações. O Facebook vem em terceiro lugar, com 33,11% da preferência, seguido das redes: Myspace (20,09%), Flickr (18,94%) e Linkedin (15,81%).

O estudo teve por finalidade diagnosticar os hábitos dos jornalistas brasileiros dentro das redes sociais e da Web 2.0. Setenta e dois por cento dos jornalistas usam as redes sociais com finalidade profissional e pessoal, segundo a pesquisa.

“As redes sociais trazem o benefício da agilidade e da amplitude de opções de contatos, instantaneamente, algo que seria muito caro e demorado através de contatos telefônicos ou mesmo pessoais”, diz a jornalista Ana Maria Devides.

Ela trabalha no Jornal Tribuna do Povo, em Araras, e afirma utilizar essas ferramentas na sua rotina diária. “Passo o dia inteiro online, mas com status de ausente e só converso em geral com pessoas que trocam comigo informações que uso nas matérias do dia”.

A jornalista Renata Meneghin também concorda com a praticidade das redes sociais na produção jornalística. “Essas ferramentas vieram para facilitar o nosso trabalho, uma vez que lidamos com o imediatismo e temos pouco tempo para elaborar as matérias”.

Segundo Renata, os sites de relacionamento contribuem na busca por fontes para as reportagens e na publicação das fotos. “Já entrevistei pessoas pelo Orkut e também pelo MSN em tempo real, pois, como elas não estavam na cidade, não conseguimos contato pelo celular.

Ana Maria conta que pouco tempo atrás entrevistou uma psicopedagoga de Americana: “Como ela é disléxica, e tem dificuldades com leitura e escrita, a entrevistei pelo MSN, com uso da webcam e do viva voz, em menos de 20 minutos”.

No Estado de São Paulo, 348 jornalistas (83,25% dos entrevistados) disseram usar alguma rede social. Na região Sul, 100 profissionais (72,01%) da área afirmaram também manter perfil atualizado em pelo menos uma dessas redes.

Na região Sudeste, excluído o estado de São Paulo, que foi pesquisado isoladamente, 136 jornalistas responderam afirmativamente sobre o uso de redes sociais. Isso representa 76,43% dos pesquisados. E nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, 128 jornalistas (ou 75,99% dos entrevistados) disseram usar as redes sociais.

Em contrapartida, há empresas que ainda não utilizam esses canais, pois não acreditam que eles otimizem o trabalho do jornalista. Segundo a editora-chefe do Jornal Opinião de Araras, Talita Carpini, o veículo que ela trabalha não disponibiliza internamente o acesso a Orkut, MSN e Twitter por pensar que esses sites de relacionamentos acabam tomando muito tempo dos funcionários. “Já eu tenho uma visão diferente: as redes sociais podem ajudar na produção mais eficaz de reportagens”.


Os sites de relacionamentos são utilizados também pelas pessoas em geral, na busca de informações inéditas e atuais. De acordo com a estudante de jornalismo Lídia Baião, o Twitter é uma ferramenta essencial para se obter notícias de maneira mais rápida, principalmente pelas agências, e confessa estar ligada nas atualizações e nas discussões que acontecem no site. “Um grande exemplo desse ineditismo foi durante o Apagão de 3ª feira passada (que atingiu dezoito estados do Brasil).

Eu estava online no Twitter, quando aconteceu a queda de energia. Em questão de minutos, pude saber quais locais estavam sem energia e o que estava ocorrendo nas cidades de todo o país”. A futura jornalista utiliza as redes sociais, mas alerta: “É necessário ficar atento à veracidade e à credibilidade das fontes”.

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