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6 de mai. de 2011

Da porta para dentro

Assassinato de crianças no Rio de Janeiro mostra que, ao tempo em que o governo deve investir em políticas voltadas à Segurança Pública, a formação do cidadão consciente se inicia em núcleo familiar.

Matheus Fonseca
O episódio conhecido como “Massacre de Realengo” não só gerou pânico e indignação pelo País, como reacendeu o debate sobre circulação, comércio e porte de armas de fogo entre a sociedade civil. A chacina – que culminou com a morte de 12 crianças e suicídio do próprio atirador – ilustra o quadro de violência generalizada e insegurança típicas da crise na Segurança Pública. Ocorrida em 07/04, a tragédia, trouxe à tona a questão sobre iniciativas do Estado na defesa do “cidadão de bem”, e repercutiu em vários segmentos sociais. O crime, organizado ou não, já não responde sozinho pelo clima de insegurança instaurado na população. Com o acesso irresponsável do cidadão comum a armas de fogo tornam atos criminosos e tragédias cada vez mais próximos. O problema, agora, é também da porta para dentro.
Logo no dia 08/04, um dia após Wellington Menezes de Oliveira invadir sua ex-escola e tirar a vida de 12 inocentes, o presidente do Senado Federal, José Sarney, manifestou-se favorável à realização de novo plebiscito sobre o comércio de armas de fogo no Brasil. O senador Sarney busca o apoio da sociedade para promover uma revisão da Lei 10.826/2003, mais conhecida como Estatuto do Desarmamento, norma que estabelece regras para a aquisição e o porte de armas. Segundo o senador, não se trata de desrespeitar a opinião do povo, mas de ouvi-lo novamente (em 2005, através de referendo popular, a maioria da população brasileira rejeitou a proibição da venda de armas e munições). Tal posicionamento soa um tanto quanto oportunista, uma tentativa de “mostrar serviço” frente ao descrédito da população quanto às atitudes do poder público no combate à violência. O “surto” que possuiu o atirador no episódio de Realengo, apesar de ter ocorrido de forma pontual, dá mostras de uma personalidade deturpada. Impossível prever se aquele que se mostra tão próximo distribuirá abraços, flores, socos ou pontapés, mas as razões sociais que levam a atos impensáveis estão na raiz do problema da violência.
A propositura do Senado – agir às pressas com a realização do plebiscito já em outubro – é questionada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia. "Nós já fizemos um plebiscito, que demonstrou a opinião da população acerca do desarmamento e que foi, na minha avaliação, muito firme, muito contundente”, afirma. A opinião do deputado é compartilhada por Ophir Cavalcante, presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). "O plebiscito pode ser uma cortina de fumaça para desviar o foco dos reais problemas de segurança que devem ser enfrentados pelo governo, além de se constituir num desrespeito à vontade popular legitimamente expressada no referendo de 2005". A polêmica está, definitivamente, instaurada, com o povo no centro do fogo cruzado.
A opção “popular” por manter o comércio de armas e munição obteve saldo positivo? Não se trata somente de uma questão de números, estatísticas e indicadores. É necessário refletir se decisões tomadas “pelo povo” se mostram mais eficazes do que medidas impostas pelo governo, sob a égide da Lei (como a Lei Seca e suas rígidas penalidades). Fácil é o Estado eximir-se de culpa através de referendos que nada mais são do que ferramentas de pseudo-democracia, assim como é conveniente ao núcleo familiar culpar os políticos pelos infortúnios cotidianos. A sociedade precisa aprender a defender-se dela mesma, pois o “cidadão comum”, quando mal intencionado, transforma qualquer objeto à mão em arma letal, seja um revólver, um carro, um pedaço de pau ou um simples clipes de papel. E não há plebiscito que imponha berço, educação e cidadania.

3 de mai. de 2011

Armas em qualquer esquina

Horácio Busolin Júnior

            O último acontecimento na Escola em Realengo, no Rio de Janeiro, reacendeu uma questão que as autoridades deixaram de lado: o controle do trânsito de armas no Brasil.

O que levou Wellington Menezes de Oliveira a praticar a sangrenta chacina na escola? A pergunta ainda paira no ar e a dúvida provoca discussões de psicanalistas, sociólogos, educadores e jornalistas. As informações estão sendo jorradas pela imprensa e declaram que o jovem possivelmente tenha sofrido bullying, ou era abatido por alguma patologia social grave. A sociedade está sedenta por explicações, e é possível que nunca encontre o real motivo que possa justificar tal ação.

         Problemas de sanidade como o dele, são visíveis pelo mundo. Basta lembrar do caso trágico da escola em Colombine que ocorreu no ano de 1999, em que dois adolescentes assassinaram 14 crianças e um professor. Nesse caso foi apontado que os meninos sofriam preconceito pela sexualidade. Segundo informações contidas no artigo de Daniel Mack e Melissa Risso (Jornal o Estado de S. Paulo), casos como esses têm vitimado cerca de 300 pessoas desde 1996, e ocorre em diversos países como China, EUA, Iêmen, Argentina, Finlândia e agora no Brasil.

            Há um misto de possibilidades que o próprio assassino nutriu e abriu precedentes para discussões que envolvem religião, preconceito, fracasso pessoal e demência. Acredito que nem o próprio assassino poderia explicar os fatos se estivesse vivo.

            Porém o principal vilão da história foi o instrumento usado para a prática dos assassinatos: a arma. Como foi que Wellington teve acesso ao revolver calibre 38 que vitimou aos alunos? De acordo com matéria publicada em 21 de dezembro no jornal Estado de S. Paulo, existem hoje no Brasil cerca de 16 milhões de armas, tendo 7,6 milhões na ilegalidade, correspondendo a 47, 6%.

            O Estatuto do Desarmamento definiu regras mais rígidas para o porte e posse de armas, mas mesmo assim a população pode ter acesso a armas, até por bases legais.

            Cabe às autoridades controlar o trânsito livre de armas e fiscalizar de forma efetiva como elas entram no país, vigiando com mais rigor suas fronteiras. A polícia precisa intensificar suas ações fiscalizando clubes de tiros, empresas de segurança e caçadores. Outro ponto que precisa ser discutido é envolvimento de policiais com o tráfico de armas. Em fevereiro de 2011, policiais civis e militares foram presos na Operação Guilhotina por desvio de armas, corrupção e proteção a bicheiros.

            A polícia Federal necessita reforçar ainda mais suas ações em trabalho conjunto com as corregedorias para melhor fiscalização nos profissionais da segurança pública. O baixo salário desses profissionais também é uma das causas para desvirtuação de condutas dos policiais.

            Porém o grande problema em se barrar a comercialização, mesmo com exceções, é o lobby realizado pelas empresas armamentistas junto ao Congresso.  A problemática é salutar, e precisa ser discutida pela imprensa, de forma séria e com o intuito de orientar a opinião pública ao alcance de uma solução plausível.

            Com armas soltas e vendidas em qualquer esquina, jovens inconsequentes continuarão tendo acesso fácil a armas de fogo, como se essas fossem simples artifícios de brinquedo.

18 de abr. de 2011

Quem é que vai pagar por isso?

Alexandre P. Sinotti

Quantos mais morreram em nome de Deus? É o que o mundo quer saber há tempos é o que chocou o Brasil no dia sete. Realengo não é mais a mesma. O número da perfeição no cristianismo mostrou um sistema de fiscalização de armas imperfeito, em um país acomodado com a política do jeitinho. Pois qual será o jeitinho que dado às 11 crianças mortas? Não vejo resposta a essa pergunta.

É necessário agir, caro leitor! Novamente se discute em Brasília um plebiscito sobre o desarmamento. Entretanto não há clareza nesse argumento. Certamente é necessária uma política própria para regulamentar a situação das armas no Brasil, política tal que seja implementada dentro do ordenamento jurídico vigente. Mas o que será feito com esse regulamento? Como superar o abismo entre discurso e prática? Wellington Menezes de Oliveira conseguiu! Atingiu seu objetivo. O que fará o poder público? Quantas tragédias mais serão anunciadas em prol de uma política de fiscalização séria? Isso também não se sabe.

A mídia aponta o Bullying como condição para os feitos do jovem assassino. Ao se falar em religião, rumores especularam a relação do esquizofrênico com o Islamismo. Mentira! Como explicar o fato de um garoto de vinte e três anos ter acesso a armas de fogo e, além disso, como entender que alguém em sã consciência mataria inocentes de forma brutal. Seria o acontecido fruto de apartheid social contra deficientes mentais? Não há como obter respostas.

Como sociedade brasileira, devemos rever os papéis desempenhados praticamente por nossas instituições. Os vinte anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), comemorados em 2010, precisam ser lembrados. Obrigações entre Escola, Estado e Família talvez estejam esquecidas em meio à rotina industrial. Acordar, ir à academia, ir ao trabalho, dormir. Que tempo é destinado na educação moral e cívica de seus filhos. Ainda existe ética? O Tiririca já te contou o que faz um deputado federal? Cabe a internet educar as novas gerações? O Estado é sim, falho. Mas, como elegemos nossos representantes, a nossa parcela de culpa também existe.

Gilberto Freire já disse há tempos sobre a mentalidade escravocrata brasileira, mentalidade que legitima esse comportamento bovino em buscar que a solução para os problemas sociais, políticos e econômicos caia como um maná do céu. Bobbio, meus amigos, “a última instância é o povo”. Alguém já ouviu a máxima: cada um tem o governo que merece. Pois bem, não se trata de um discurso revolucionário, comunista ou qualquer outro termo que você, caro leitor, queira se utilizar para se eximir de sua responsabilidade, que tem como membro participante ativo e consciente da sociedade. Quantas vidas custarão a sua omissão, cidadão brasileiro? Eu convido a todos para que cobrem das autoridades a parte que lhes cabe. No entanto, que não se esqueçam, porém, do quinhão que cada um tem perante suas obrigações sociais.

Não há omissão que exima cada um da culpa que lhe cabe. Segue o artigo 4º do ECA: “É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária”. Quem é que vai pagar por isso?, pergunta o refrão da música revanche do irreverente Lobão. Hobbesiano, não? 

20 de mai. de 2010

A madrugada que o país parou

por Thayla Ramos

Vinte e sete de março de 2010, meia-noite e 45. A madrugada que o país parou em frente ao Fórum Regional de Santana, Zona Norte de São Paulo, para ouvir do juiz Maurício Fossen a sentença de condenação de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá.

O homicídio triplamente qualificado praticado pelo casal contra Isabella Nardoni, morta em 29 de março de 2008, quando foi jogada pela janela do sexto andar do Edifício London, prendeu a atenção de toda a mídia e causou comoção pública jamais vista diante de um caso de homicídio. O motivo? Alexandre Nardoni é pai de Isabella, e Anna Carolina Jatobá, a madrasta supostamente ciumenta.

Durante meses, todos os canais, revistas e jornais nacionais e regionais realizaram uma ampla cobertura do caso, acompanhando os depoimentos, as perícias e, finalmente, a prisão do casal Nardoni. Porém, o que mais ganhou espaço nas manchetes e primeiras-capas foram fotos retratando a ex-vida feliz da garotinha “assassinada” e a irremediável dor de Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella, cujo rosto tornou-se tão conhecido e exposto quanto o do presidente Lula.

A cobertura da morte da menina atingiu proporções de um romance policial imperdível, com direito a cenas de drama, suspense e ação que foram acompanhadas fielmente por milhões de brasileiros. Mas, ao contrário do incrível desfecho desta “novela”, a maioria dos casos de homicídios ou tentativa de homicídio entre pais e filhos termina com o réu recebendo uma sentença favorável. A conclusão é de um estudo da antropóloga Daniela Moreno Feriani, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), da Unicamp. Ela avaliou 34 processos tramitados e julgados em um período de 20 anos - entre 1982 e 2002 - no Fórum de Campinas.

Segundo a pesquisa, divulgada no início deste ano, de 34 processos pesquisados, em 17 o réu teve sentença favorável e em oito houve condenação. Os outros processos foram arquivados por diversos motivos, como falecimento do réu ou desqualificação do crime para lesão corporal. Qual é, então, a novidade para tanto estardalhaço diante do Caso Isabella?

Um peso, duas medidas

Cerca de 200 pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, estavam aglomeradas em frente ao Fórum de Santana à meia-noite e 45, enquanto o juiz lia a sentença de condenação dos Nardoni. Em seus televisores, milhares de pessoas acompanhavam ao vivo a reação eufórica dos civis quando o resultado do julgamento soou pelos vários alto-falantes instalados nos portões e calçadas do Fórum.

Uma onda de alegria e fúria espalhou-se entre os presentes. Civis bateram palmas, pularam, soltaram fogos de artifício, balançaram-se nas grades de proteção do local. Fotógrafos dispararam simultaneamente seus flashes e repórteres narraram o resultado do julgamento com a entonação de quem narra o glorioso fim de uma partida de futebol.

Porém, emocionante mesmo foi o retorno do casal à penitenciária de Tremembé, no Vale do Paraíba, a 140 quilômetros de São Paulo, onde voltaram a ocupar suas carceragens. As pessoas aguardavam na saída do Fórum. A Polícia Militar temia um linchamento. Só que atirar pedras, tomates e disparar chutes e palavrões contra os veículos fortemente protegidos, onde os assassinos estavam invisíveis foi o máximo que os civis conseguiram fazer. Tudo isso, é claro, sobre o respaldo de câmeras e microfones.

Mas, ainda pior do que uma sociedade que comemora quando deveria calar-se e cala-se quando deveria protestar, é uma mídia que faz o mesmo. Se antigas teorias dizem que o jornalismo é o espelho da sociedade, talvez elas não estejam tão obsoletas: a imprensa brasileira realmente faz jus à frase.

Se inúmeros casos como o de Isabella acontecem no Brasil, por que não recebem a mesma repercussão e fiscalização da imprensa? Por que, diferentemente de Isabella, as crianças assassinadas não são filhas de advogados? Por que os pais que cometeram homicídio não são proprietários de um apartamento na Zona Norte de São Paulo?

De maneira nenhuma é maléfico que a mídia fiscalize o cumprimento das leis e procedimentos que são de interesse público: mas é maléfico que isso seja feito de acordo com o interesse do público, apenas quando as circunstâncias de um crime rendem boas fotos e entrevistas emocionantes, que garantam um aumento de audiência e vendas de exemplares.

Se a imprensa brasileira não trabalhasse com um peso e duas medidas, talvez os 17 dos 34 homicídios entre pais e filhos nos últimos anos não teriam ficado impunes.

6 de mai. de 2010

Professores da rede estadual suspendem greve

por Adriano Nascimento

Após um mês de paralisação, o Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo, em Assembleia, resolveu suspender a greve. Segundo a presidente da Apeoesp (Sindicado dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Maria Izabel Noronha, a decisão aconteceu porque a Secretaria do Estado da Educação aceitou negociar com os professores até o próximo dia 7 de maio. Porém, se as negociações de ambas as partes não forem cabíveis, a greve voltará por tempo indeterminado.

A população paulista está dividida sobre a greve dos professores. Pior que isso: até os próprios professores estavam divididos. A adesão parcial ao movimento revela a existência de um contingente considerável de profissionais que não se convenceram sobre a paralisação, de que ela seria a melhor maneira de reivindicar a recuperação dos salários e a melhoria do ensino.

A dúvida sobre a eficácia da paralisação deve pesar muito na decisão de não parar. Greves têm sido feitas com regularidade, sem que o magistério estadual tenha obtido qualquer conquista significativa. Nem mesmo as inflações dos últimos anos, acusam as lideranças da categoria, têm sido respondidas pelo governo estadual, o que levou a um achatamento dos vencimentos. Não por acaso, o principal item da pauta de reivindicações é um reajuste de 34,3% no salário.

Alguns alunos ficaram mais de 30 dias sem aulas nas escolas estaduais. O objetivo dos professores era ficar em greve por tempo indeterminado, até que o governo entrasse em um acordo. A paralisação durou um mês; algumas escolas ficaram completamente paralisadas, e com isso os alunos foram prejudicados.

A Secretaria da Educação do Estado afirmou que somente 2% dos professores pararam. Já a Apeoesp informou que a paralisação atingiu 70% dos professores. A paralisação já estava incomodando as pessoas, até mesmo a própria família brasileira que deixa seus filhos nas escolas, estava reclamando porque não havia professores.

O motivo da paralisação é pela dignidade do magistério e pela qualidade da educação. Os professores há cinco anos não têm aumento de salário, e a classe luta por essa questão. Os professores solicitam os seus direitos, que são as principais reivindicações da categoria, reajuste salarial imediato de 34,3%; incorporação de todas as gratificações; garantia ao emprego; e o concurso público de caráter classificatório; contra a municipalização do ensino, contra qualquer reforma que prejudique a educação, em todos os níveis.

Em nota, a Secretaria de Estado da Educação informa ainda que não vai mudar os programas criticados pelo sindicato, como o de Valorização ao Mérito e a criação da Escola Paulista de Professores. Para a secretaria, "são esses os programas que estão permitindo melhorar a educação de São Paulo”, declarou o Secretario da Educação Paulo Renato Souza.

O governo voltou a classificar como "político" o movimento da Apeoesp. "O sindicato convocou a greve sem que tivesse tentado nenhuma negociação com a Secretaria da Educação, o que evidencia sua finalidade política".

Da assembleia também participaram representantes dos diretores de escola e supervisores de ensino, que decidiram, em suas instâncias, entrar em greve em conjunto com os professores. É claro que o trabalhador tem direito de fazer greve e lutar por aumentos salariais. Os professores de São Paulo, assim como os seus colegas de outros estados, ganham mal.

Na última semana as categorias dos professores interditarão uma faixa de rolamento da Avenida Paulista, durante a assembleia. E durante a greve os professores chegaram a bloquear ambos os sentidos da via por três vezes durante as manifestações.

Após as negociações com o secretário Paulo Renato Souza, uma nova Assembleia deverá discutir a situação dos professores da rede estadual. O governador José Serra (PSDB) desperdiçou uma ótima oportunidade de mostrar-se um bom negociador ou, quando menos, alguém que não tem receio de dialogar e, democraticamente, buscar soluções.

22 de abr. de 2010

Menos impostos, mais empregos

por Lídia Baião

O decreto assinado pelo governador José Serra reduzindo a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e prestação de Serviços (ICMS) para o setor têxtil, de 12% para 7%, significa maior competitividade para nossas empresas, manutenção dos empregos e até criação de novos postos de trabalho, investimentos e geração de renda no estado.

A desoneração deverá favorecer cerca de 13,5 mil empresas, que mantêm em São Paulo aproximadamente 200 mil empregados. Juntas, elas faturam mensalmente, em média, R$ 28bilhões por ano e recolhem R$ 1 bilhão em impostos anualmente. O benefício valerá inicialmente até 31 de março de 2011, mas pode ser prorrogado, assim como foi a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), para a venda de eletrodomésticos, pelo governo Federal.

Esse é um resultado da união de forças de um grupo, envolvendo a Frente Parlamentar em Defesa do Setor Têxtil do Estado de São Paulo, coordenada pelo deputado Chico Sardelli (PV), o Sindicato das Indústrias de Tecelagens (Sinditec), Sinditêxtil, Fiesp e outras entidades representativas do setor que souberam levar ao governo do estado essa reivindicação para redução do imposto.

Em agosto do ano passado, o grupo iniciou um movimento com o objetivo de sensibilizar o governo em relação à necessidade de redução do imposto. No período de mais de um ano foram realizadas reuniões, estudos técnicos, até chegar à elaboração de um documento contendo informações ao governo sobre a necessidade de diminuir a carga tributária para retomada da competitividade e para estancar a saída de empresas do Estado de São Paulo.

O documento mostrou ao governo que baixar o ICMS não provocaria uma queda na arrecadação, que atualmente é de cerca de R$ 1 bilhão anual. Ao contrário disso, a permanência das empresas no estado, a manutenção dos aproximadamente 200 mil empregos e a realização de novos investimentos promoverá um aumento na receita do governo.

O importante também é que os empresários assumiram o compromisso de reduzir o custo dos produtos no atacado e varejo, beneficiando também os consumidores.
Como disse o secretário estadual da Fazenda, Mauro Ricardo, esse foi um acordo em que todo mundo ganha, pois há benefícios para os empresários, trabalhadores, governo e consumidor.

O setor têxtil em São Paulo vinha sofrendo por ter uma carga tributária maior. Os incentivos fiscais oferecidos por outros estados estavam atraindo as nossas indústrias e aumentando o desemprego local. São Paulo precisava de uma medida urgente para conter a saída das empresas.

É claro que a redução do ICMS não resolverá todos os problemas da cadeia têxtil e confecções, afinal, ainda temos a deslealdade na taxação dos produtos têxteis chineses e coreanos que oferecem preços mais chamativos.

Os problemas de competitividade decorrem de problemas macroeconômicos. Temos de ir criando condições no estado e no país, como a redução do ICMS, que é um grande incentivo, estabelecendo padrões justos de competitividade e melhores condições de trabalho.

Bento XVI é sabatinado pela imprensa

por Diego Rodrigo dos Santos

Virou moda atacar o papa Bento XVI. Nas últimas três semanas, o líder da Igreja Católica foi alvo da imprensa devido ao grande número de acusações contra padres pedófilos. O papa é acusado de ocultar casos de pedofilia acometidos pelos membros da Igreja.

As denúncias sobre pedofilia de padres escandalizam, revoltam e assustam. Tanto quanto outras horríveis notícias sobre violência e abusos em qualquer lugar do mundo, principalmente dentro da própria família.

As pessoas têm enorme dificuldade em se conformarem com as notícias sobre pedofilia no seio da Igreja Católica. Dela, apesar do passado da Inquisição, das Cruzadas, do alheiamento quanto à escravidão e de tantos outros erros históricos cometidos, ainda espera-se algo bom.

Na Igreja Católica há o Direito Canônico que afirma que ninguém pode ser condenado sem uma acusação formal, sem ser antes advertido, sem o direito de defender-se. Não é justiça e é contra a doutrina da Igreja promover pura e simplesmente uma caça às bruxas, como assim fez a mesma no passado.

Como também é pecado grave de omissão por parte da autoridade eclesiástica simplesmente fechar os olhos para os escândalos e delitos dos sacerdotes. É necessário tomar corajosamente as medidas cabíveis.

O Papa Bento XVI não tinha provas concretas dos casos de pedofilia com padres, ao contrário do que informou o jornal ‘The New York Times’, no último dia 25 março.

O jornal americano trouxe a notícia de que, em 1996, o cardeal Joseph Ratzinger, que veio a se tornar o papa Bento XVI, em 2005, não respondeu as cartas vindas de padres americanos acusando o padre Lawrence C. Murphy de abusar sexualmente de 200 alunos menores entre 1950 e 1970, em uma escola para crianças surdas do Estado de Wiscosin (EUA).

Os documentos, mantidos em sigilo durante muitos anos, revelam uma correspondência de 1996 entre o padre Murphy e Ratzinger, então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé nos anos 90. Segundo o jornal, o papa teria sido alertado sobre as acusações contra o padre Murphy pelo arcebispo de Wisconsin, que teria escrito duas cartas sobre a questão.

O “Times” também informou que Bento XVI sabia sobre o caso envolvendo o sacerdote Peter Hullermann, acusado de cometer abusos sexuais contra crianças em Essen, no norte da Alemanha, e transferido em 1980 para Munique e Freising.

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, e os meios de comunicação da Santa Sé desmentiram as informações e denunciaram uma campanha da mídia de desmoralização do papa Bento XVI e seus aliados a qualquer preço. Lombardi reconheceu que, embora esses casos tenham acontecido há dezenas de anos atrás, “reconhecê-los é o preço para restabelecer a Justiça e purificar a memória”.

No último dia 20 março, o papa publicou uma carta para os católicos da Irlanda, outro país onde se registraram centenas de abusos sexuais contra menores. Na carta, Bento XVI se diz “profundamente perturbado com as notícias dadas sobre o abuso de crianças e jovens vulneráveis da parte de membros da Igreja na Irlanda, sobretudo de sacerdotes e religiosos”. Escreve o papa, ainda, se dirigindo às vítimas: "Sei que nada pode cancelar o mal que suportastes. Foi traída a vossa confiança e violada a vossa dignidade".

Além do mais, Bento XVI na viagem que fez aos Estados Unidos, se encontrou com as vítimas de sacerdotes que as abusaram sexualmente, e disse: “Não há lugar para aqueles que abusam de crianças no ministério sacerdotal".

Associar a pedofilia ao celibato é outra discussão emergente. O bispo auxiliar de Aracaju (SE), Dom Henrique Soares da Costa, disse em seu blog que pedofilia e celibato são coisas totalmente independentes uma da outra. “Um pedófilo pode se mascarar por baixo do ministério sacerdotal como pode se encapar num casamento. E são tantos”, afirmou.

De acordo com o bispo, o celibato é um dom de Deus para a Igreja, e completou: “Que fique bem claro que não há nenhuma propensão do papa e dos bispos de suspender a disciplina atual, que exige o celibato dos sacerdotes. A crise de vocação não é motivada pelo celibato, como também a crise de fidelidade não tem no celibato sua causa. A crise é de fé, não de celibato”.

Em alguns países há uma indústria mafiosa para arrancar dinheiro da Igreja com casos de pedofilia, verdadeiros ou forjados. Não houve acobertamento no caso envolvendo o padre Murphy. O Vaticano já disse anteriormente que ele não foi punido porque as leis da Igreja não preveem punição automática.

Contudo, a infidelidade de alguns não pode deixar na sombra a fidelidade heroica e silenciosa de muitos padres que, no dia a dia, sem aparecer em jornais, dão um esplêndido testemunho de amor a Cristo e às pessoas.

15 de abr. de 2010

Uma máquina polêmica

por Cintia Ferreira

O Cern, organização europeia de pesquisa nuclear, prometeu, no ano de 2008, uma das mais ambiciosas experiências da história da física. É o LHC, um equipamento que simularia um novo “Big Bang” através de prótons que se chocam na velocidade da luz. Big Bang é a teoria cientifica que defende que o surgimento dos planetas e sistema solar se deu através de uma grande explosão no cosmos.

Pesquisando a respeito o tema, nota-se que este é de difícil compreensão e há falta de veículos de informação que abordem a questão de forma clara e sucinta para aqueles que não entendem muito a respeito de Ciência e Física. Revistas específicas e blogs especializados são pouco acessíveis à maioria da população.

Assim, a abordagem da imprensa no caso LHC é insatisfatória. Os principais jornais e sites de notícias trazem informações sobre o assunto, embaladas em muitos termos científicos e conteúdo para especialistas em Física. Entre prótons, neutros e átomos, o cidadão comum ouve falar de uma máquina que criará um buraco que poderá vir a engolir a Terra, espalhando o medo como um monstro que não se vê a face, encoberta por números e termos incompreensíveis.

Pouco a pouco, a velocidade do LHC será aumentada e a máquina preparada para colisões cada vez mais poderosas, até chegar ao momento exato da criação do mundo. Segundo os 180 cientistas de vários países envolvidos no projeto, as respostas que a humanidade procura a respeito do surgimento mundo e de tudo que nele há serão extraídas deste invento moderno e polêmico.

A primeira sensação é de um maravilhoso e admirável mundo novo que se desponta à nossa frente, assim como na saga de Aldous Huxley. O fantástico mundo onde não há perguntas que não foram respondidas e nem ideias satisfeitas. Porém, com um olhar mais humano e sensível, vemos o caminhar rumo à falta de crença em Deus e ao individualismo sem fronteira.

Localizado entre a Rússia e a França, o LHC já dá os primeiros passos a caminho de encontrar a “matéria negra” ou a “partícula de Deus”, substância com a qual 25% do universo seria constituído. Porém, o invento causa divergências entre alguns estudiosos que, contrariados acerca do equipamento, pregam que a tal máquina pode causar o fim do mundo.

A cada choque de partículas são criados pequenos buracos negros que, de tão ínfimos, de desfazem em frações de segundos. Mas os cientistas Walter Wagner e Luis Sancho alertam o seguinte: com o aumento da velocidade, que chegará ao auge no ano de 2013, o choque de prótons poderá criar um buraco negro com capacidade de engolir a Terra.

Portanto, o equipamento que prometia o milagre das respostas sobre a nossa formação poderá ser o assassino de todo nosso habitat. Assassinato movido pela curiosidade incessante e custeado pelo valor de 8 bilhões de euros, valor que geraria menos polêmica e insatisfação se fosse empregado para o crescimento de países que vivem em condições desumanas.

Wagner e Sancho abriram um processo contra o Cern, alegando que não foram feitos testes para o bem estar do meio ambiente e pedem à Corte americana que o processo seja interrompido até que seja provado que não ofereça risco à humanidade. O laboratório garante não há problema algum e que as acusações não passam de especulação. Eles dizem, mas não provam nada.

25 de nov. de 2009

Assessores vs Jornalistas: A batalha está chegando ao fim

por Gustavo Nolasco

A discussão é antiga, quem é mais jornalista? O assessor de imprensa pode ser considerado jornalista? Para o escritor e jornalista Rodrigo Capella, antes de mais nada “a tarefa é a de unir esses profissionais , respeitando possíveis diferenças e lutando para que elas, de nenhuma maneira, atrapalhem a execução das diversas habilidades jornalísticas, que se mostram cada vez mais importantes em nossa sociedade atual”.

De um lado, o jornalista pensa que está em uma grande batalha pela verdade e, por isso, o colega assessor é indigno de ser tratado como da mesma forma que ele. Do outro, o assessor faz o possível para informar o que convém ao cliente dele e se utiliza do que há de mais requintado em comunicação.

Habilidades como a de repórter, assessor de imprensa, editor e pauteiro, entre outras, são funções jornalísticas e devem ser respeitadas como tal. Infelizmente, a própria classe jornalística se confronta e se opõe em conceitos e estruturas, fundamentais para a consolidação e o respeito que ela merecia ter perante á sociedade.

Ainda segundo Capella, ”o assessor é um jornalista, bem como o jornalista muitas vezes pode vir a ser um assessor”. Essa compreensão está cada vez mais nítida entre os jornalistas de redação, que muitas vezes se utilizam dos textos enviados pelos colegas de assessoria para alimentar e dar mais credibilidade, sustentabilidade e entusiasmo ao texto que será lido pelo público.

O que muitos profissionais esquecem é que ambos foram formados em Jornalismo. Talvez isso ocorra porque alguns assessores de imprensa não sejam formados em Jornalismo. Mas, se analisarmos bem, a grande maioria é, e numa democracia a maioria prevalece.

Algumas declarações esquentam o debate. Em uma convenção da profissão, a assessora Érica Santos dispara: “Os assessores são a garantia de que a informação que chega ao público é verdadeira ". Do outro lado da mesa o jornalista Carlos Santos rebate: “Os jornalistas têm outras fontes, além dos assessores, que dão melhores informações”. Essa é a clássica desconfiança entre esses profissionais. A briga entre informação apurada e informação construída, mas que pra isso, também foi apurada.

Apesar da disputa o cenário está mudando. Uma pesquisa publicada no início deste ano feita pelo Instituto Franceschini de Análise de Mercado e coordenada pelo departamento de pesquisas da ABERJE (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial) informa que os profissionais de redação reconheceram a importância dos colegas assessores.

A pesquisa com 405 jornalistas de um total de 48.115 cadastrados pelo mailing MaxPress, a maior e mais segura referência do país, trouxe números curiosos: 42% dos entrevistados avaliam que os assessores de imprensa ajudam muito o trabalho da redação, já 43% dizem que ajudam um pouco, os outros 7% afirmam que não ajudam, nem atrapalham, e apenas 3% deste total dizem que atrapalham.

Capella acredita que a união da classe pode ter ajudado a equilibrar essa batalha, mas que ainda há muito a se discutir sobre o assunto. “Após a união da classe, essas análises ganharão profundidade e credibilidade, pois estarão sendo feitas por uma classe unida e fortalecida, em busca de seus interesses e, ao mesmo tempo, preocupada em oferecer cobertura jornalística precisa, ouvindo o maior número de lados possíveis”.